Parlamento Juvenil acolheu a II Conferência Africana

Subordinada ao lema “Africa Pós 2015”, decorreu na Cidade de Maputo, de 22 à 25 de Setembro a II Conferência Africana da Juventude sobre Democracia e Boa Governação. A mesma juntou na cidade capital mais de 30 países oriundos de todas as regiões de África, bem como observadores internacionais vindos de fora de África.

A conferência contou mais de 500 jovens que estiveram durante 4 dias a se debruçar sobre a situação da Paz, Democracia e Boa Governação em África. Como convidados de honra, estiveram presentes os Antigos Presidentes de Burundi e da África do Sul, Pierre Buyoya e Thabo Mbeki, respectivamente.

Esteve ainda presente o Vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude, Preye Ketebu, o presidente Da Juventude Pan-Africana e a Directora da Zayarah, Amukelani Mayimela. De Mo,cambique, o destaque vai a Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo e para o Ministro da Juventude e Desporto, Alberto Nkutumula.

O objectivo desta conferência era de criar um senso comum, partilha de agenda e compromisso entre os jovens líderes e activistas africanos em relação à boa governação e ao desenvolvimento sustentável de África, com foco particular para as questões de direitos humanos, paz, inclusão social, empreendedorismo, educação, direitos sexuais e reprodutivos, casamentos prematuros e emponderamento das epistemologias locais.

Na ocasião, a Presidente da AR disse que este encontro tem lugar numa altura muito especial, em que o mundo está a testemunhar o fim da implementação de um grande evento, nomeadamente, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, programa que será substituído pelos “Novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas” e, no que tange ao Continente Africano, a “Agenda Africana de Desenvolvimento para os próximos 50 anos”.

Salomão Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil referiu que este evento se enquadra no ano de 2015, em que, entre outras coisas, testemunha o fim da Agenda sobre Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e a criação de novos desafios, Muchanga destacou a necessidade de se reflectir em torno da Carta Africana da Juventude, aliás, instrumento central deste encontro, assinada por 42 dos 54 estados-membros da União Africana e ratificada por 36 países.

“É neste quadro que esta iniciativa da juventude representa um espaço de inclusão e reflexão progressiva sobre o impacto dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, sobre o engajamento da juventude na Agenda Após 2015, e sobre os desafios da implementação da Agenda 2063, da Carta Africana da Juventude e da Carta Africana sobre Democracia: Eleições e Governação, na construção de uma cultura de paz e resolução de diferenças através do diálogo social”, afirmou Muchanga.

Para o Presidente do Parlamento Juvenil, importa ainda aprofundar a reflexão sobre o valor prático dos desafios de divulgação destas cartas, com vista à promoção do aproveitamento dos recursos colectivos em prol do desenvolvimento sustentável do continente.

“Lutámos para que a governação em África prove a dignidade humana, o crescimento das riquezas nacionais, o respeito das liberdades democráticas e que garanta a paz e a segurança”, referiu para depois reconhecer o facto de ser explosiva a situação da juventude em África uma vez que esta camada social ainda enfrenta problemas de desemprego; exclusão política das mulheres e a obrigatoriedade de estas casarem prematuramente; epidemias de cólera, ébola, HIV/SIDA, malária ou tuberculose; para além da necessidade de emigrar para lugares considerados mais seguros.

Piere Buyoya, antigo Presidente de Burundi falou sobre as Cartas Africanas da Juventude e a Agenda da Paz, tendo destacado a necessidada da sua popularização e conhecimento no seio da Juventude Africana.

Enquanto isso, Thabo Mbeki, antigo Presidente da África do Sul, referiu que os movimentos de jovens em África estão em crise e precisam se revigorar perante aos nossos desafios da actulidade. Assim, urge a necessidade de maior união e definição de agenda de luta. Ademais, Mbeki falou da Primavera Árabe, tendo dito que alertou o ocidente para as consequências da invasão à Líbia e outros países do norte de África.

Refira-se que esta conferência devia acontecer em Ouagadougou, no Burkina-Faso. Todavia, dada a insegurança política naquele país, a organização confiou Moçambique para que pela segunda vez consecutiva acolha o encontro. A primeira conferência do género teve lugar em Dezembro de 2012 na cidade de Maputo e contou com a participação de antigos estadistas africanos, tais como Joaquim Chissano e Pedro Pires, de Cabo Verde.